Quais são as tendências em Recursos Humanos para 2019?

Foi na semana passada que me fizeram essa pergunta e eu achei bem legal poder pensar sobre o assunto com as minhas experiências profissionais de Marketing e Recursos Humanos. Criei então a lista abaixo, considerando os tópicos que eu vejo com mais relevantes para esse “futuro” que já chegou:

TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

Temos que admitir que, do ponto de vista tecnológico, o RH está atrasado. Os candidatos e os colaboradores são digitais e exigem novas experiências nesse ambiente que garantam processos mais simples, seguros, ágeis e que contribuam com as suas experiências pessoais com as marcas empregadoras.

O RH busca valorizar os talentos da empresa e a transformação digital contribui para que haja mais eficiência nos processos necessários, deixando mais tempo para efetivamente olhar para os talentos de maneira estratégica.

Esse tipo de transformação pode impactar significativamente na atração e na retenção de talentos. Só é importante não esquecer a experiência do candidato e do colaborador nesse cenário de transformação digital. Não adianta melhorar o processo para a empresa e não focar nos usuários. O tiro vai sair pela culatra.

Antes da digitalização, pense na HUMANIZAÇÃO e foque nas experiências das pessoas com essas novas tecnologias, trabalhe firme na gestão de mudança para que todos se sintam pertencentes e confortáveis com os novos tempos, além de executar a capacitação necessária para os novos modelos de trabalho com seus colaboradores ou candidatos.

FOCO EM INCLUSÃO

Diversos somos todos nós e as empresas já estão aprendendo, ou pelo menos pensando, em como lidar com isso. O que nos une é a diferença, mas nem todas as empresas ainda estão conseguindo fazer seus candidatos e colaboradores se sentirem realmente parte da organização. Diversidade e inclusão estão diretamente relacionadas com inovação e criatividade, melhor desempenho financeiro, maior produtividade e valorização da imagem empresarial.

A consultoria McKinsey (2015) divulgou uma pesquisa com 366 empresas públicas de diversos segmentos no Canadá, América Latina, Reino Unido e Estados Unidos, na qual concluiu que empresas que incentivam a diversidade de gênero e raça estão mais propensas em ter retorno financeiro acima da média nacional de sua indústria, em 15% e 35% respectivamente.

Em estudo realizado pelo Hay Group no Brasil (2015) com 170 empresas brasileiras e publicado na revista Harvard Business Review, apontou que nos locais onde a diversidade é reconhecida e praticada, a existência de conflitos chega a ser 50% menor que nas demais organizações e os funcionários estão 17% mais engajados e dispostos a ir além de suas responsabilidades formais do que nas empresas em que esse ambiente não é incentivado.

A pesquisa revelou também que líderes e funcionários motivados possuem desempenho 50% maior do que os demais e as empresas com funcionários mais motivados tiveram sua receita líquida crescendo 4,5 vezes mais em comparação com as outras.

Um dos desafios do RH para 2019 será realmente entender que a diversidade é um fato e que o desafio é construir inclusão a longo prazo nas empresas, fazer com que funcionários diversos consigam sentir a mesma boa experiência com a marca empregadora em suas jornadas de trabalho.

CONTRATAÇÃO POR ATITUDES E COMPORTAMENTOS

Cada vez mais se ouve falar de soft skills e inteligência emocional e são pessoas com comportamentos emocionais inteligentes que as organizações estão buscando para garantir a continuidade de seus negócios em um futuro próximo.

Mais do que nunca as empresas contratam por causa do Linkedin e demitem por conta do Facebook. Não há mais separação entre ambiente online e off-line e as empresas querem pessoas completas trabalhando em suas organizações. O currículo tradicional e os hard skills continuam sendo importantes, mas cada vez mais características como capacidade de comunicação, atitude positiva, foco no cliente, gestão de tempo, paixão por aprender, resiliência, colaboração, habilidade organizacional, entre outras, são os que as empresas buscam em profissionais.

Os candidatos precisam se preparar para desenvolver os soft skills, mas as empressa também devem estar realmente capacitadas através de seus processos, seus sistemas e seus recrutadores para identificar e avaliar essas características, não perdendo nenhum talento.

PEOPLE ANALYTICS

Já há algum tempo o RH deixou de ser visto como área de apoio e departamento pessoal para se transformar em uma área de valor para o negócio, pois concentra o ativo mais precioso da empresa: as pessoas.

Com essa mudança de posicionamento, o RH também passou a ser cobrado por números, índices, métricas e resultados de efetividade, por isso, People Analytics* é fundamental para dar ao RH o poder de atuação, criação de novas estratégias para gestão de pessoas de maneira escalonável e precisa, trazendo ao RH mais agilidade na correção de rotas e gestão de atividades que podem aumentar as taxas de retenção e engajamento dos times, abrindo portas para o desenvolvimento profissional mais ágil e a carreira em W**.

Os funcionários de RH precisam aprender a viver nesse novo e desafiador ambiente tecnológico que eleva o nível estratégico do RH, deixando-o mais inteligente, potencializando a gestão efetiva de talentos, beneficiando a empresa, os clientes e, principalmente, os funcionários.

* O People Analytics é um processo que envolve a coleta, a organização e a análise de dados, visando compreender o comportamento e as expectativas dos colaboradores dentro da organização.

** Carreira em W: Conceito disseminado por Roberto Pierre Rigaud e que tem o objetivo de promover a flexibilidade entre os cargos que são oferecidos pela companhia. Em vez de seguir o modelo Y, em que o colaborador que atinge o teto da própria profissão deve decidir se segue uma carreira ou outra, no planejamento em W ele encontra a oportunidade de atuar de forma versátil e dinâmica em outros cargos.

EMPLOYER BRANDING – GESTÃO DE MARCA EMPREGADORA

Colaboradores engajados com a marca empregadora são mais facilmente retidos pelas empresas, menos propensos a trocar de trabalho e ainda contribuem para a referência da empresa na atração dos melhores talentos do mercado.

Em 2019 os RHs têm que focar em Employer Branding, que é a Gestão de Marca Empregadora, de maneira estratégica, contratando equipe capacitada para traçar essa estratégia visando os objetivos de negócios, métricas e resultados, além de destinar orçamento especial para a sustentação dessa área, que deve pensar não apenas taticamente na atração momentânea de talentos, mas realmente pensar de maneira estratégica na retenção de talentos e na construção e posicionamento da marca empregadora, além de entender que essa estratégia, é de construção de marca, ou seja, tem um tempo de maturidade para que se colha os resultados.

O Employer Branding é um trabalho que dá resultados expressivos, mas a médio e longo prazo. Não espere milagres! Quando realizado de maneira estratégica e alinhado com os objetivos de negócios da empresa, o Employer Branding contribui para o WorkForce Planning, atraindo as pessoas certas para o lugar certo no momento adequado, diminui o esforço e o investimento no processo de contratação, atrai os profissionais com mais fit cultural e adequação geral às necessidades da empresa, aumenta a satisfação dos funcionários e diminui o turnover, entre outras coisas.

Segundo pesquisa Grupo Brandon Hall (Understanding the impact of Employer Branding, Pesquisa – 2014), empresas com estratégias fortes de Employer Branding, alinhadas com o negócio, são 250% mais prováveis a considerar o seu processo de atração de talentos altamente efetivo, são 185% mais prováveis a conseguirem atrair pelo menos um talento de alto nível em um processo seletivo e 130% mais prováveis a verem um aumento considerável no engajamento dos funcionários.

Também é importante que o RH não se esqueça do Candidata Experience (Experiência do Candidato) e do Employee Experience (Experiência do Colaborador) para apoiar a percepção e a reputação da marca empregadora interna e externamente. Para saber mais sobre esse assunto, leia aqui.

E você, complementaria essa lista com quais tendências?

Post relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *